Jogo #ON_Sex

Concebido no âmbito do Projeto #ON_Sex - Direitos Sexuais e Jovens Vulneráveis, que decorreu entre Abril de 2014 e Dezembro de 2015, promovido pela APF e desenvolvido em parceria com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e o Programa Escolhas, e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. 

O Jogo #ON_Sex foi pensado como um curso em formato electrónico, que visa abordar as temáticas da sexualidade e da parentalidade responsável de forma lúdica e interativa. Contém materiais que podem, na sua maioria, ser utilizados de forma autónoma, desde que os participantes possuam algum nível de literacia e prática na navegação em programas informáticos simples. No entanto, os materiais também podem servir de ponto de partida para um trabalho acompanhado por um/a educador/a, ganhando assim novas dimensões e abrindo-se a possibilidades de trabalho mais aprofundado. É de salientar que o Jogo pode ser usado com o objetivo de acumular etapas e traduzir-se num conjunto de conhecimentos que pode ser certificado ou simplesmente pelo gosto de uma interação lúdica.

Caso o Jogo seja utilizado com o intuito de alcançar etapas formativas, será promovido um modelo de partilha de resultados com o/a animador/a ou educador/a para que possa ser reconhecido o trabalho e as aquisições nessa área através da atribuição de um Certificado.

Este projeto foi pensado para ir ao encontro das necessidades formativas nas áreas supracitadas por parte de indivíduos jovens, com idades iguais ou superiores a 14 anos. Apesar de não ter limite superior de idade, os materiais foram concebidos, em termos de conteúdos e imagem, a pensar em participantes de uma faixa etária jovem (até aos 30 anos de idade, aproximadamente), podendo ser utilizado com indivíduos mais velhos.

Enquadramento do material

No sentido de facilitar e de reforçar as aprendizagens na área da sexualidade, saúde reprodutiva e competências parentais, procura-se neste Jogo motivar o/a participante, promovendo o autoconhecimento e a autodescoberta através de uma vertente pedagógico-didática interativa. O/A participante orienta a sua própria aprendizagem, indo ao encontro dos seus principais interesses ou motivações e segue um ritmo por si definido.

Ao mesmo tempo que se procura potenciar a aptidão para determinadas competências, é dada oportunidade ao/à utilizador/a de testar os seus conhecimentos à medida que vai avançando nas várias temáticas. O material está organizado em torno de um conjunto de atividades que pretendem estimular o processo de aprendizagem de forma interativa e dinâmica.

O Jogo encontra-se dividido em dois eixos principais: Sexualidade e Competências Parentais. O primeiro dedica-se a abordar algumas das principais questões relacionadas com a saúde sexual e reprodutiva, a contraceção, o prazer e o género; o segundo versa as questões da conceção, gravidez e parto, cuidados com a criança, e sua alimentação e saúde.

Temas

Sexualidade

  • Sexualidade e projeto de vida – trata sobre temas relacionados com saúde sexual e reprodutiva, incluindo a diversidade sexual, sublinhando-se ainda a relação entre a autoestima e o projeto de vida
  • Saúde sexual e prazer – aborda as questões da sexualidade enquanto área com múltiplas funções e significados, que pode proporcionar prazer, mas que também acarreta riscos, nomeadamente ao nível das infeções sexualmente transmissíveis
  • Planeamento familiar – transmite informação sobre métodos contracetivos, sobre a relação entre estes e a saúde sexual e reprodutiva e destaca a pertinência da contraceção no contexto do planeamento familiar
  • Género e violência de género – trata das noções de sexo e de género e suas distinções, destacando em particular o conceito de género, abordando ainda a (des)igualdade de género e a violência que se lhe encontra associada

Competências Parentais

  • Conceção, gravidez e parto – aborda o ciclo menstrual e a conceção, a evolução da gravidez e do desenvolvimento fetal e as várias fases do parto
  • A criança até aos 3 anos – descreve o desenvolvimento da criança do nascimento aos 3 anos de idade e destaca a importância da interação precoce com o bebé para a vinculação afetiva
  • A alimentação da criança – versa sobre a evolução da alimentação da criança, incluindo os procedimentos e materiais necessários para a amamentação eficaz e a transição para a alimentação sólida
  • Promoção da saúde da criança - aborda as doenças contagiosas na 1ª infância, a prevenção de acidentes e noções básicas de primeiros socorros

Estrutura

As grandes temáticas da Sexualidade e das Competências Parentais estão organizadas de forma independente, sendo que cada uma delas apresenta cores distintas, bem como introduções e avaliações diferenciadas. A sua estrutura interna é, porém, semelhante. Todos os subtemas que lá se encontram incluem as seguintes secções:

Glossário

Transversal a todo o material existe uma lista interativa de conceitos pertinentes para as temáticas em causa. Além disso, cada subtema terá uma lista de conceitos específica que os jovens poderão explorar como atividade autónoma.

 

Saber mais

Secção que abre com uma pequena síntese e onde se desenvolvem todos os conteúdos dessa área; aqui poderão aprender mais sobre o tema em causa através da leitura de conteúdos um pouco mais aprofundados. Dentro do Saber mais, existem links para documentos relacionados que podem ajudar a aprofundar as matérias. Esta área servirá também de recurso para o esclarecimento de dúvidas ou curiosidades aquando das atividades propostas.

 

Avaliação

A qualquer momento, os jovens poderão realizar um teste que avalia os conhecimentos adquiridos no módulo. É proposta também uma avaliação final do Tema com perguntas relacionadas com os 4 sub-temas. Depois de alcançada esta avaliação, é possível adquirir um Certificado.

Objetivos gerais

  • Fornecer e aumentar conhecimentos
  • Desenvolver competências
  • Promover um estilo de vida saudável

Objetivos específicos

Sexualidade

  • Promover o conhecimento sobre sexualidade, saúde sexual e reprodutiva.
  • Convidar à reflexão acerca do projeto de vida e da responsabilidade inerente ao mesmo, em particular no que respeita à sexualidade.
  • Informar sobre métodos contraceptivos e sua importância no âmbito do planeamento familiar.
  • Realçar as várias dimensões e motivações da sexualidade.
  • Alertar para as principais infeções sexualmente transmissíveis.

Competências Parentais

  • Informar acerca da conceção, gravidez e parto.
  • Aprofundar e desenvolver competências parentais.
  • Sensibilizar para os cuidados relativos à alimentação infantil e sua evolução (0-3 anos).
  • Esclarecer sobre as doenças infantis, seus sintomas e cuidados a ter.
  • Alertar para a prevenção de acidentes e cuidados a ter para salvaguardar o bem-estar da criança.

Recomendações no trabalho com jovens

O Jogo #ON_Sex foi concebido para ser realizado de forma acompanhada por monitor/a, bem como de forma mais ou menos autónoma pelos/as jovens. Em qualquer casos, é importante que exista um momento introdutório ao material realizado por monitor/a com formação adequada.

É aconselhável (mas não obrigatório) que quem acompanhe os/as jovens tenha recebido alguma formação nas áreas que o material cobre, nomeadamente:

  • sexualidade humana e sua diversidade
  • anatomia e fisiologia sexual e reprodutiva
  • gravidez e parto
  • planeamento familiar e contraceção
  • desenvolvimento infantil
  • puericultura
  • saúde infantil
  • primeiros socorros

Ter pelo menos alguns conhecimentos sobre algumas destas áreas ajudará o/a monitor/a a acompanhar e esclarecer os/as jovens no respetivo percurso, em dúvidas relacionadas com os conteúdos abordados no Jogo. O estudo cuidadoso do material é também aconselhável para se poder complementar conhecimentos e proporcionar a segurança desejável para acompanhar a realização das atividades propostas.

Além do domínio dos conteúdos e material, existe também um conjunto de características que são desejáveis nos monitores/as que trabalhem questões de saúde sexual e reprodutiva, em geral. São elas, e entre outras:

  • Encorajar
  • Valorizar
  • Enfatizar
  • Ouvir
  • Negociar
  • Organizar
  • Envolver
  • Ser sensível
  • Ser aberto
  • Ser positivo
  • Ser flexível
  • Relacionar
  • Respeitar a privacidade
  • Ser discreto
  • Ser consistente
  • Ser claro
  • Orientar com sensibilidade
  • Incentivar a aceitação mútua

Do ponto de vista da atitude face aos os/as jovens e às questões e dúvidas colocadas, existe um conjunto de regras que deverão ser tidas em conta (In Sanders & Swinden, 1995), nomeadamente:

  • Não atribuir “certos” nem “errados”
  • Proporcionar a exploração de valores pessoais num clima aberto e não constrangedor
  • Formar partilhando, mais do que impondo
  • Não emitir juízos de valor
  • Ser tão neutro quanto possível
  • Permitir que se façam escolhas
  • Disponibilizar informação ajustada às necessidades dos jovens
  • Encaminhar para os serviços adequados, se necessário
  • Desempenhar um papel positivo de adulto
  • Mostrar interesse e respeito
  • Mostrar confiança e apoio

Além de todas estas questões, é importante assumir que ninguém poderá dominar por completo todas as matérias, inclusive questões específicas de áreas que poderão ser de especialidade técnica. Por vezes surgem dúvidas e assumir que não se sabe a resposta para tudo, também pode ter um papel pedagógico, nomeadamente sugerindo uma metodologia de procura de informação em fontes fidedignas e fomentando uma postura crítica sobre o material consultado.

Especificidades socioculturais

É possível que algumas pessoas que venham a utilizar o Jogo #ON_Sex sejam provenientes de famílias e contextos sociais e culturais que têm perspetivas estereotipadas sobre as temáticas abordadas neste material e não necessariamente alinhadas com as aqui defendidas. As temáticas da sexualidade em particular, mas também as relacionadas com a parentalidade, tendem a suscitar reações por vezes extremadas. Parte importante da responsabilidade dos/as monitores/as é a de gerir reações de forma construtiva.

Assim, o/a monitor/a nunca deve manifestar a sua opinião pessoal sobre o assunto em causa, ainda que possa fornecer informação cientificamente validada (“A homossexualidade não é uma doença porque...”) ou legalmente informada (“De acordo com a lei em vigor, o aborto é permitido por decisão da mulher até...”) sobre o mesmo. Quando na presença de vários/as jovens com perspetivas diferentes, facilitar a expressão dessas diferentes opiniões num clima de aceitação, escuta atenta do outro e de partilha de pontos de vista, mais do que de conflito, pode ser um instrumento pedagógico importante. O/A monitor/a deverá sempre dar o exemplo através da sua postura de escuta neutra e de moderação relativamente a diferendos de opinião.

Linguagem

O Jogo #ON_Sex utiliza uma linguagem inclusiva em termos de género. Isto significa que procuraram utilizar-se formulações linguísticas neutras ou, na sua impossibilidade, optou-se pela inclusão das formulações “o/a” (como em “aluno/a” ou “aluna/o”). Acreditamos que este cuidado permite mitigar o efeito sexista que se encontra profundamente enraizado na cultura e na linguagem. É importante que o/a monitor/a tenha esse aspeto em atenção no processo de acompanhamento dos/as jovens e, sempre que adequado e necessário, explique o motivo destes cuidados e dê o exemplo utilizando também uma linguagem tão inclusiva quanto possível (utilizando expressões como “o rapaz ou a rapariga”, “a aluna ou o aluno”, ou simplesmente “as pessoas”, etc.)

Exposição de questões pessoais

Os/as jovens não devem ser encorajados a revelar experiências ou vivências pessoais na interação com o/a monitor/a. No entanto, suscitado ou não pelo material, isso poderá acontecer e este/a deverá estar preparado para essa eventualidade, inclusive para a revelação de situações sensíveis e causadoras de sofrimento pessoal mais ou menos intenso. Uma boa dose de bom senso é importante na gestão de tais situações, mas pode ser útil dar espaço para a pessoa falar, dizendo algo do género: “Pelo que estou a perceber essa é uma situação que ainda te perturba. Queres falar-me mais sobre o assunto?” ou “Vejo que essa questão é causa de sofrimento. Podes desabafar à vontade comigo e eu tentarei ajudar da forma que for possível”.

Nas situações em que seja necessária uma intervenção junto de um problema ou situação apresentada por um/a jovem, poderá ser indicado:

  • Ouvir mais do que falar
  • Manter uma atitude de abertura e aceitação em relação à pessoa, mesmo que não necessariamente em relação às suas opiniões ou ao que ele/a possa ter feito
  • Não emitir juízos de valor (“isto está certo/errado”, etc.)
  • Não dar opiniões pessoais
  • Falar de experiências pessoais apenas quando estritamente necessário, ou seja, quando possa ser útil para a pessoa se sentir mais aceite ou reconhecida no seu sofrimento
  • Dar espaço para a libertação de tensões emocionais (por exemplo, para crises de choro) e, posteriormente, para ouvir o que a pessoa tem para dizer sobre o que experienciou
  • Não dar conselhos, é mais útil que a pessoa ela própria chegue às suas próprias decisões do que ser influenciada pelas ideias de alguém exterior à situação
  • Respeitar as decisões que a pessoa tome, mesmo que não se concorde com elas

Certificados

Pode fazer aqui o download dos certificados relativos às áreas  Sexualidade e  Competencias Parentais

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