Sífilis

A Sífilis é uma infeção sexualmente transmissível (IST) provocada por uma bactéria, chamada Treponema pallidum (Tp), que se adquire durante as relações sexuais com parceiro infetado/a. O diagnóstico é simples, o tratamento é curativo, mas a infeção pode provocar complicações graves se não for diagnosticada e tratada a tempo.

Quem pode adquirir sífilis?

Qualquer pessoa que pratique sexo não protegido (vaginal, oral ou anal) com uma pessoa infetada com o Tp pode adquirir a infeção

O Treponema pallidum passa das pessoas infetadas para os/as seus/suas parceiros/as sexuais durante a prática de sexo vaginal, anal ou oral. O contacto com uma lesão de sífilis (“ferida”) permite a passagem da bactéria para a pele ou mucosas da área genital, boca ou ânus da pessoa não infetada. O Tp penetra no organismo e, através da corrente sanguínea, atinge os vários órgãos onde pode permanecer muitos anos (10, 20 ou mesmo 30) sem provocar sinais ou sintomas de doença, pode, no entanto, entrar em atividade em qualquer altura, provocando doença no coração, sistema nervoso central ou na pele. Sem tratamento adequado a infeção não se cura.

As mulheres grávidas também podem transmitir a infeção ao feto ocasionando aborto, parto prematuro ou doença grave do recém-nascido – Sífilis Congénita

Como sei se tenho sífilis?

Só realizando o teste de rastreio para a sífilis poderás saber se estás ou não infetado/a com o Treponema pallidum.

Tal como acontece com a maioria das outras infeções sexualmente transmissíveis (IST), é muito frequente a sífilis evoluir longos períodos de tempo sem qualquer manifestação que alerte a pessoa para a possibilidade de ter contraído a infeção.

Assim, se tiveres relações sexuais sem preservativo, trocares de parceiro/a sexual ou mantiveres relações com mais de uma pessoa, deves procurar fazer testes de rastreio das IST, o que inclui o teste da sífilis.

Quais as manifestações da doença?

Os primeiros sinais podem surgir entre uma semana a três meses após o contacto sexual com a pessoa infetada. Na grande maioria dos casos o/a doente não valoriza as manifestações, que em geral não dão grande incómodo e podem ser semelhantes às de outras doenças.

Na evolução da infeção podemos reconhecer três fases de doença ativa: Sífilis primária, Sífilis secundária e Sífilis terciária, com manifestações diferentes de umas para as outras. Entre os períodos de atividade a infeção permanece silenciosa, sem sinais nem sintomas, e designa-se Sífilis latente recente ou tardia consoante a infeção pelo Treponema tenha 2 ou mais anos de evolução.

Fases ativas da Sífilis:

Sífilis primária– 1 semana a 3 meses após a infeção surge uma pequena ferida, que não dói, na zona genital, na boca (sexo oral) ou no ânus (sexo anal). A ferida cicatriza ao fim 3 a 6 semanas, mesmo sem tratamento, mas a infeção permanece no organismo e pode ser transmitida aos/às parceiros/as sexuais. Sem tratamento não há cura.

Sífilis secundária – após um período sem sintomas (Sífilis latente recente), entre 1 a 6 meses depois, podem surgir manchas vermelhas no corpo, palmas das mãos, plantas dos pés e região ano-genital, por vezes com febre, dores de garganta, caroços no pescoço e axilas, rouquidão e queda de cabelo.

Os sintomas desaparecem cerca de 4 semanas a 3 meses depois, mesmo que não seja feito tratamento, e a infeção volta a ficar adormecida, mas pode ser transmitida aos/às parceiros/as sexuais até 2 anos após a infeção.

Entra-se então na fase de Sífilis latente tardia, durante a qual pode surgir a terceira fase de doença ativa, 10, 20 ou mais anos depois da infeção.

Sífilis terciária – nesta fase as manifestações são mais graves, com lesões por vezes irreversíveis do coração, do cérebro e outros órgãos. O tratamento é mais complexo do que nas fases anteriores, cura a infeção, mas podem ficar sequelas.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico pode ser feito em qualquer fase da infeção, mesmo que não haja sinais ou sintomas, com o recurso a análises de sangue específicas para a sífilis

As análises de rastreio são simples e de resposta rápida, mas o resultado deve ser interpretado pelo/a médico/a, pois não é de leitura direta e pode ser necessário efetuar outras análises de confirmação, para um diagnóstico de certeza.

As pessoas com atividade sexual devem consultar o/a médico/a se tiverem lesões cutâneas ou úlceras da área genital. O aparecimento de corrimento ou gânglios é um sinal para evitar contactos sexuais e procurar o/a médico/a.

Todas as mulheres grávidas devem fazer análises de rastreio da sífilis no início e no final da gravidez. Se as análises forem positivas devem ser tratadas por medicos/as especialistas, para evitar a transmissão da doença ao bebé.

Tratamento da sífilis.

O tratamento é feito com um antibiótico (em geral injeções de penicilina). A dose depende da situação da pessoa e da fase da doença em que aquela se encontra.

As pessoas que são tratadas para a sífilis devem abster-se de relações sexuais durante o período de tempo indicado pelo/a medico/a, e devem informar o/as parceiros/as sexuais para que estes/as possam fazer análises e receber também tratamento adequado.

Não esquecer que o período de contágio é longo (mais ou menos 2 anos) pelo que devem ser referenciados/as parceiros/as sexuais anteriores e não apenas os/as atuais.

Após o tratamento o/a doente deve comparecer às consultas de controlo, pois é necessário a repetição das análises (aos meses 1, 3, 6, 12…) para avaliação da resposta da infeção à terapêutica.

Como se pode evitar a sífilis?

  • Não ter relações sexuais.
  • Ter um único/a parceiro/a sexual, que, por sua vez, não tem outros/a parceiros/as (relação mutuamente monogâmica), tendo ambos análises da sífilis não reativas.
  • Utilizar de forma correta e consistente o preservativo em cada contacto sexual reduz o risco de infeção.

Qual a relação entre sífilis e infeção VIH?

A sífilis, tal como as restantes IST, potência a transmissão e a aquisição da infeção pelo VIH. As pessoas com sífilis têm 2 a 5 vezes mais hipóteses de se infetarem com o VIH, se tiverem contacto com um/a parceiro/a seropositivo/a.

 

Fonte:

https://www.cdc.gov/std/syphilis/the-facts/Syphilis_bro_508.pdf

https://www.cdc.gov/std/syphilis/stdfact-syphilis.htm

https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/d...

https://www.spdv.pt/_grupo_para_o_estudo_e_investigacao_das_doencas_sexu...