Infeções Sexualmente Transmissíveis

As IST, ou infeções sexualmente transmissíveis, são infeções contagiosas cuja forma mais frequente de transmissão é através das relações sexuais (sobretudo vaginais, orais ou anais).

A prática de sexo mais seguro é a melhor maneira de prevenir a infeção.

As IST mais conhecidas são:

Vias de transmissão

As principais vias de transmissão de IST são:

  • as relações sexuais vaginais, não protegidas, entre mulher e homem; ou seja, quando o pénis é introduzido na vagina sem preservativo (interno ou externo);
  • as relações sexuais anais, não protegidas, entre mulher e homem ou entre homem e homem. Ou seja, quando o pénis é introduzido no ânus sem a protecção de um preservativo;
  • e, para algumas infecções, as relações sexuais orais; ou seja, quando a vagina, o clitóris ou o pénis estão em contacto directo com a boca do parceiro/a, sem uma barreira protectora (como uma folha de látex ou plástico impermeável, por exemplo);
  • o risco de transmissão está também relacionado com determinadas práticas ou comportamentos, como por exemplo a partilha de brinquedos sexuais; para evitar a transmissão, devem usar-se dams (pequenos lenços de latex) durante o sexo oral/vaginal, luvas de latex e lubrificantes à base de água durante o toque ou a penetração no ânus ou vagina, utilizar preservativos e lubrificantes nas situações de partilha de vibradores, etc.

É fundamental encontrar profissionais de saúde com os quais se sinta confortável para conversar e que possam assegurar o acompanhamento.

Sempre que se inicia uma nova relação sexual é importante falar com a parceira sobre as relações anteriores, de modo a prevenir os riscos de contrair uma IST.

De acrescentar que, quando não estão em contacto com o corpo, a maior parte dos agentes infecciosos responsáveis pelas IST morre rapidamente.

Sinais e sintomas

Alguns sinais podem traduzir-se na existência de uma IST:

  • corrimento vaginal anormal, frequentemente com mau cheiro ou corrimento uretral;
  • presença de vermelhidão, manchas brancas, bolhas, verrugas ou vesículas nos órgãos genitais ou à sua volta, no ânus, ou na boca;
  • alteração de textura e/ou de cor nas unhas e/ou na pele ao seu redor;
  • dor ou sensação de queimadura ao urinar;
  • dores difusas no baixo ventre;
  • sensação de dor ou queimadura aquando das relações sexuais;
  • febre.

Certas infecções provocam sintomas apenas no homem outras somente na mulher e, por vezes, pode existir infecção sem qualquer tipo de sintoma.

Em certos casos, as consequências de uma IST não tratada manifestam-se mais tarde sem que, entretanto, se tenha detectado qualquer sinal anormal.

O tratamento das IST deve ser sempre feito aos parceiros envolvidos na relação sexual, mesmo que não haja nenhum sintoma. Desta forma, evitam-se complicações graves como é o caso da infertilidade.

É essencial para a saúde que as pessoas conversem com os seus parceiros sobre se têm ardores, dores ou incómodos na zona genital e que consultem um médico ou um centro de aconselhamento em planeamento familiar com a maior brevidade possível. Indo à consulta, rapidamente se faz o diagnóstico e se inicia o tratamento.

Prevenção e deteção precoce

  • A melhor estratégia para prevenir o aparecimento de uma IST é a prática de sexo MAIS seguro;
  • O preservativo é o método mais eficaz para evitar uma IST;
  • É fundamental estar consciente dos riscos, sobretudo quando se desconhece o comportamento e o estado clínico das/os parceiras/os sexuais; um maior número de parceiras/os não se traduz necessariamente em maior risco, desde que todas as pessoas adoptem comportamentos de minimização do risco;
  • Logo que se sintam incómodos ou se detectem lesões na zona genital, deve consultar-se um médico;
  • Quando se diagnostica uma IST, devem informar-se as pessoas com quem se teve sexo nos últimos tempos; dependendo da IST e de outros factores, "últimos tempos" pode significar nas últimas semanas, nos últimos meses, ou nos últimos anos;
  • Os exames periódicos são essenciais para despiste das IST, uma vez que os sintomas são muito difíceis de detectar;
  • A prevenção e a detecção precoce são a melhor maneira de evitar complicações de saúde mais graves;
  • Esteja atento/a aos sinais...

FAQ ​- Perguntas frequentes

Existe diferença entre IST e DST?

IST é abreviatura para Infeções Sexualmente Transmissíveis e são estas infeções que podem desencadear as doenças, ou seja as DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis). Apesar desta precisão, ambas as palavras são muitas vezes entendidas como sinónimas. O mais importante é saber que a sua principal via de transmissão (mas não a única) são as relações sexuais, sejam elas relações sexuais vaginais, sexo oral ou sexo anal.

Infecção é a invasão de tecidos corporais de um organismo hospedeiro por parte de agentes capazes de provocar doenças, a multiplicação desses agentes e a reação dos tecidos do hospedeiro aos mesmos e às toxinas por eles produzidas.

Doença infecciosa corresponde a qualquer doença clinicamente evidente (ou seja, manifestado-se através de sintomas e sinais, com alterações fisiológicas, bioquímicas e histopatológicas), como consequência das lesões causadas pelo agente e pela resposta do hospedeiro.

Quando o agente infeccioso penetra, se multiplica ou se desenvolve no hospedeiro, sem provocar dano nem manifestações clínicas, considera-se a infecção subclínica, inaparente ou assintomática.

Quais os principais sintomas de uma IST?

Uma IST nem sempre se manifesta de forma clara, pelo que os rastreios regulares e os exames clínicos são muito importantes para o diagnóstico.

Certas infecções provocam sintomas apenas no homem, outras somente na mulher e, por vezes, pode existir infecção sem qualquer tipo de sintoma.

Mas os principais sintomas costumam ser: corrimentos vaginais ou, nos homens, uretrais; presença de vermelhidão, bolhas, verrugas ou vesículas nos órgãos genitais e à sua volta; dor ou sensação de ardor ao urinar; dores na zona pélvica (baixo ventre); sensação de dor ou desconforto quando se tem relações sexuais; febre.

Como se pode evitar uma IST?

A utilização de métodos de barreira (como os preservativos interno ou externo, as luvas, ou as folhas de látex) é o método mais eficaz na prevenção de uma IST, sempre que existem relações sexuais, inclusivamente para proteger brinquedos sexuais.

Algumas parasitoses, como a sarna ou os piolhos púbicos, podem ser transmitidas no contacto da pele com lençóis ou estofos contaminados. Uma correcta e frequente higienização do corpo e dos espaços é o melhor método para reduzir o risco de contrair estas infecções.

Algumas IST, como a Hepatite B ou alguns tipo de HPV, podem ser transmitidas no contacto pele-com-pele, mas existem vacinas para estas infeções que devem ser igualmente consideradas. Para algumas populações específicas, definidas na Circular Normativa nº 15/DT da DGS, de 15/10/2001, a vacinação é gratuita. 

Podem ainda ser consideradas de menor risco, as práticas sexuais sem contacto com mucosas, ou o uso de brinquedos sexuais não partilhados.

Para o VIH, caso ocorra uma relação desprotegida, poderá ser disponibilizada nas urgências hospitalares e, em alguns casos, a PPE (profilaxia pós-exposição), para tentar dificultar a multiplicação do vírus. De salientar que a eficácia desta é maior se for disponibilizada num curto espaço de tempo: o medicamento deve ser tomado o mais cedo possível e no prazo máximo de 72 horas após a exposição ao VIH. Deixando passar este período de tempo, o tratamento deixa de ser eficaz. A eficácia do tratamento consiste na toma de medicação antiretrovírica durante 28 dias e a sua eficácia não é garantida.

Estão em curso estudos para usar preventivamente alguns medicamentos, mas esses métodos ainda não estão disponíveis.

As IST são fáceis de tratar?

Depende. Há infeções bacterianas que podem ser tratadas com antibióticos. Mas outras infeções, como o VIH, permanecem no organismo e implicam um tratamento durante toda a vida.

Onde posso fazer um teste de VIH/SIDA?

É possível fazer um teste de VIH/SIDA recorrendo aos Centros de Aconselhamento e Deteção do VIH (CAD), solicitar análises específicas ao médico de família ou a um médico particular, por hipótese. Os Centros de rastreio (gratuitos e confidencial) – CAD, existem em várias cidades do país: Aveiro, Almada, Barreiro, Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Porto, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Viseu e na Ilha Terceira (Açores).

É possível ficar infetado com sexo oral?

Sim. Existe sobretudo o risco de contrair infeções como a Gonorreia, a Clamídia, a Sífilis, o HPV ou o VIH, quer recebendo, quer fazendo sexo oral com uma pessoa infetada.

O que é o herpes genital?

O herpes genital é uma IST provocada por um vírus (normalmente o vírus simplex do tipo 2), através do contacto sexual. É das infeções mais frequentes. Como é difícil de detetar, muitas vezes o vírus passa para o/a parceiro/a sem que se saiba da sua existência.
O herpes pode ser tratado para atenuar as queixas e sintomas. Mas não existe cura, sendo o seu aparecimento recorrente (recidivas).

O cancro do colo do útero é uma DST?

O cancro do colo do útero é uma doença que resulta de infeções persistentes pelo Vírus do Papiloma Humano, o HPV. Este vírus vive na pele ou nas membranas mucosas, habitualmente, não causa sintomas, e propaga-se sobretudo pelo contacto sexual, pelo que é fundamental a prática de sexo mais seguro.

Existem muitos tipos diferentes deste vírus, com consequências diferentes (e zonas preferenciais de infecção). Algumas pessoas desenvolvem verrugas anogenitais visíveis (os chamados condilomas, causados por tipos de HPV que não provocam cancro) ou têm alterações pré-cancerígenas no colo do útero, vulva, ânus, pénis ou boca. Muito raramente, a infeção por HPV resulta em cancros anais, genitais ou da cabeça e pescoço.

Em Portugal, a vacina contra as infeções por HPV está incluída no Plano Nacional de Vacinação, sendo ministrada gratuitamente a todas a raparigas a partir dos 10 anos de idade. Está disponível também para outras pessoas (geralmente de forma não gratuita) mediante avaliação, caso a caso. Estudos recentes sugerem que a vacina pode ser benéfica mesmo para quem já vive com a infecção.

Onde posso obter preservativos femininos/internos gratuitos?

Em centros de saúde, hospitais e algumas Organizações Não Governamentais, como a Associação para o Planeamento da Família. O preservativo feminino/interno não está ainda disponível em farmácias.

Os preservativos femininos/internos são tão eficazes contra as IST como os preservativos masculinos/externos?

Em teoria sim. Na prática, os dados sugerem que o método tem uma taxa de falha anual 25% a 150% superior à do preservativo masculino/externo (o que talvez esteja relacionada com o facto de o modelo disponibilizado pelo Estado variar com alguma frequência e/ou com o facto de muitas pessoas estarem ainda a habituar-se a usar este tipo de preservativo, cometendo mais erros e sendo a amostra estatística menos representativa).

Para mais informação, consulte o  Consenso sobre Contraceção 2011

Como pedir ajuda?

Referências

Associação Positivo

Guia de Infecções Sexualmente Transmissíveis - Saber Mais para Viver Melhor, Redlight, um Projecto da Associação Positivo

Orientações para o tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, Organização Mundial da Saúde, 2005

Publicações do INSA (pesquisa por palavra-chave, como HPV, VIH, gonorreia, etc.)